Mostrando postagens com marcador poker face. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poker face. Mostrar todas as postagens

22 de novembro de 2011

Da expressão facial



     Fui ao médico hoje e tive algumas notícias ruins e uma boa. A boa é que minha capacidade de expressar o que sinto através da flexão muscular do meu rosto. Durante uma das explicações da minha nova prática alimentar, a nutricionista curvou-se, como se aliviasse a tensão, fez uma careta de dúvida e disse:


     - Você não está motivado, não é?


     Ela disse isso duas vezes. Mesmo eu explicando minha posição em relação ao caso. Como eu havia dito, não estava motivado nem desmotivado. Estava neutro. Aliás, estou neutro. Sempre fui assim neste assunto. Apesar de tudo, relembrei minha capacidade facial de não transparecer ideia alguma. Neste caso, a profissional da saúde interpretou como se eu fosse um de seus costumeiros clientes. Um obeso com aversão aos desígnios nutricionais.


     Não tenho problema algum com reeducação alimentar. Pelo contrário, sou muito favorável. O que me impediu a vida toda de fazê-lo é a minha incapacidade de manter alguma rotina por muito tempo. E meu relógio biológico está desregulado faz tempo.


     Não a culpo por ter sido tão descrente em minha atitude caótica/neutra. Afinal, se é o comum, nem todos aqueles que iniciam o processo chegam a um ponto saudável. Quando as dores encerram, encerra-se a batalha contra as causas.


     Mas preciso fazer isso hoje. Gostaria de ter uns anos a mais para me estressar com meu android. Quer dizer...


15 de outubro de 2011

Feliz dia dos professor (sic)

Grande Ubiratan.

      O dia dos professores é como o dia do geógrafo ou do enfermeiro. É dia de mostrar uma profissão para os incautos. Dia de exaltar suas belas facetas e expor as dificuldades.


     A profissão mãe, segundo muitos pedagogos, tem sofrido por ser, como eles dizem, desvalorizada. E grande parte desses pedagogos tem uma dificuldade atroz com avaliação. Vi analfabetos subirem ao ensino médio. E isso é calamitoso. A diferença entre o Brasil e a Coréia do Sul (a bola da vez) é que não há pesados investimentos em educação no Brasil. Nem o mínimo exigido pela lei é respeitado. Não há feedback das propostas pedagógicas nem do dinheiro gasto. E emprestamos dinheiro para o FMI.


Po-po-po-poker face
     O grande obstáculo cultural não é apenas o que impede que façamos uma reforma educacional semelhante ao acontecido na Coréia do Sul. É questão de políticas públicas. Interessante (e por que não bonito?) pensar que Haddad é o queridinho do ex-presidente Lula e foi o homem que segurou a barra do Ministério da Educação. Creio que essa pasta só não é mais polêmica do que a da Saúde. Propôs diversos programas e sustenta tantos outros. Apesar de achar que alguns deles são fragmentos do ideal, como o ProUni, que deveria fazer com que o bolsista pagasse com serviço a bolsa adquirida assim fraudadores pela facilidade da coisa iriam ter de abandonar o programa. Fernando está dando tchau para o ministério. Pelo menos não foi a dança das cadeiras com por corrupção. Quer dizer...


     Uma das grandes diferenças entre a educação sul-coreana e a brasileira é a frequente avaliação dos professores. Isso mesmo. Não só os alunos são avaliados. Isso já foi proposto em vários momentos, mas o que se ouve é aquela mesma divisão entre os que já fizeram a avaliação de suas vidas (ou seja, concursados beirando aposentadoria) e quem realmente se importa na tal cantada da formação continuada. Fábula educacional.


     Se o motor da educação é o professor, nosso carro está desregulado e, consequentemente, não é econômico. Estão tratando muito mal a mãe das profissões. Asimov estava certo. Em breve não precisaremos de professores que não saibam análise combinatória.
     
     A lei que determina o dia do professor diz que "estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna". Se os mestres não conhecem suas funções e direitos (como o piso salarial, que nem todos ganham e não vejo ninguém reclamando), não há o que enaltecer. E emprestamos dinheiro para o FMI.


Os indicadores da economia.
     Não há salário que substitua o prazer se ver as rugas das dúvidas se desfazerem após uma boa idéia. Mas se depender de vocação, teremos apenas professores de ensino religioso. E olhe lá.